Sem chegar a lugar algum

12:00 Vale lembrar: a dicotomia benjaminiana já não comporta mais o narrador contemporâneo, pois ele nem é o viajante que volta para contar o que viveu, nem o velho familiar que sempre permaneceu na vila. O novo narrador, amante de Borges, que viaja vice-versa da casa ao trabalho e eventualmente ao lazer (do nada ao vazio, como preconizam os orientais), nem sai, nem fica: é eterno transeunte baudelariano girando na roda viva do Yin-Yang subjetivo. É por isso que a narrativa contemporânea dá tanto rodeio sem chegar a lugar algum. 03:00 G. K. Chesterton (escritor britânico cuja felicidade consistiu em fazer uma longa viagem para chegar exatamente no lugar de onde partiu, sentindo a aventura do viajante e a segurança familiar do aldeão, conforme narra em Ortodoxia ), preocupado com os rumos que a narrativa mundial tomava, sugeriu o seguinte: se não é possível sair do círculo da loucura, é preciso pelo menos expandi-lo, deixar de centrar-se no indivíduo e, de fato, descentrar-se ...