21.1.12

Lançamento do Livro do
III Festival de Literatura da Letras

No último dia 18 de janeiro de 2012, no centro cultural b_arco, aconteceu o lançamento do livro-coletânea do "III Festival de Literatura da Letras - USP", no qual um conto meu foi publicado.

O festival foi organizado pelos estudantes de Letras da USP em meados de 2008 e premiou os três melhores contos e os três melhores poetas. Meu texto, "O autor do conto", ficou em segundo lugar em sua categoria.

A edição do livro, publicado pela Ed. Humanitas, ficou incrível! Destaque para a linda ilustração de capa de Juliana Cordaro.

Apesar da chuva forte, foi uma festa muito agradável! Além das conversas boas, houve uma performance de Chiu, do grupo Philomundus, e um sarau tão bom que conseguiu até quebrar a timidez que até então me acompanhava naquela noite (e que ainda me acompanha um pouco quando falo da publicação).

Gostaria de registrar o agradecimento especial a Israel Antonini, um dos tantos agitadores que ajudou na concretização da publicação; aos queridos Juliana Peres e Pedro Schmidt, que estiveram presentes na festa e que fizeram da noite um dia especial; e ao Rafael Ireno e à Polyana Ramos, que não puderam estar presentes, mas que de um jeito ou de outro caminham comigo nesta trilha literária com muitos conselhos pertinentes.

Confesso que é estranho reler meu conto, de três ou quatro anos atrás, e sentir um sentimento muito controverso de que aquela não é mais minha voz e de que o conto não dialoga mais com minha subjetividade. Mudaria muita coisa, talvez como tenho feito de lá pra cá com minha vida como um todo. 

Além disso, confesso que é muito estranho ser mencionado no lançamento e nos comentários como "escritor", ainda mais após tanto tempo sem escrever nem um post de blog. Sinto-me um outsider do meio literário, tanto com relação à produção quanto também à leitura. Tenho lido pouco, não sei o que é "escrever" e vejo cada vez mais problemas nas coisas que já escrevi.

Confesso, por fim, que o mais estranho é lembrar que talvez esses sentimentos de estranhamento, de não-pertencimento e de reflexão crítica da própria obra sejam, no fundo, um estopim para o desenvolvimento de um potencial escritor. Um ciclo recursivo, meio paradoxal, como o conto publicado, como as coisas que gosto de escrever, e como a vida em geral.

Vinícius Cássio Barqueiro
Sábado, 21 de janeiro de 2012

27.12.11

I'll Try Anything Once
(You Only Live Once)

Deveria poderia escrever milhares de linhas sobre o ano que passou e sobre o ano que virá, mas talvez isso seja pura redundância diante de uma música tão linda e emblemática.



Vinícius Cássio Barqueiro
Dezembro de 2011
Rumo a 2012! =)

5.11.11

Sonhos

Quanto aos sonhos, poucos percebem a diferente entre concretizá-los e realizá-los. Concretizar um sonho, para mim, significa saber exatamente o que se deseja. Significa, por exemplo, não apenas sonhar com a "felicidade", mas saber exatamente e minuciosamente o que ela significa para você. Significa saber onde se está, onde se pretende chegar e qual dentre os vários caminhos é o melhor até lá. Realizar um sonho, por sua vez, refere-se ao intervalo entre o caminho e a chegada. Significa todo o processo de alcance daquilo que se deseja. Envolve tanto o caminho quanto a chegada.
A confusão entre os dois verbos ocorre por muitos motivos. Primeiro porque às vezes queremos "realizar nossos sonhos" sem nem sabermos concretamente quais são eles. Não raro isso acontece. É o que chamo de "caminho sem fim": sem pontos de parada, é um caminho aflitivo, que cansa. Devemos evitá-lo. Segundo porque às vezes chegamos a realizar sonhos que nunca sonháramos. Raramente isso acontece. É o que alguns chamam de "sorte": quando assumimos o papel de rumo e a alegria caminha até nós. É maravilhoso quando ocorre, mas é imprudente depender apenas disso. Terceiro porque às vezes, ao mesmo tempo, a concretização e a realização caminham juntas. Não sei com qual frequência isso ocorre, mas suspeito que sejam raros tais casos. É o que chamo, dentre tantas denominações possíveis, de namoro bom. E graças a Deus é o que tenho vivido nestes exatos três anos com a tão doce Juliana, querida companheira de caminhada com quem tenho sido tão alegremente feliz e com quem tenho desejado as tantas novas alegrias que hão de vir e que havemos de alcançar.
Com ela, é verdade, sei que poderemos concretizar sonhos que nunca serão realizados. Mas com ela, principalmente, sei com muita propriedade que poderemos realizar sonhos nunca antes sonhados e, mais do que isso, continuar realizando os tantos sonhos que temos sonhado juntos.

Vinícius Cássio Barqueiro 
Sábado, 05 de novembro de 2011
três anos de namoro =-]

12.8.11

Tempo, Tempo, Mano Velho

Não mais aquela surpresa constante da criança que vai descobrindo a vida a cada novo passo, mas sim aquela surpresa inusitada - quase um susto - de quem já sabe o que esperar da previsibilidade do mundo e que, mesmo assim, ainda não espera perfeitamente bem. Não o susto de quem se descobre perdido, mas o susto de quem sabe exatamente qual rota seguir e de repente descobre que o mapa está desatualizado, ou mesmo que a meta mudou. A surpresa de quem vai descobrindo que nem sempre há um retorno quando se erra o caminho; e que o preço a ser pago pelo combustível queimado na rota errada é caríssimo. Não o susto de quem vê um animalzinho na pista, mas o horror de quem vê outra pessoa atropelando-o deliberadamente. Não a surpresa do adolescente que se apaixona pela menina que mal conheceu, mas a surpresa causada pelo velhinho que, apesar das rugas da convivência, ama fervorosamente sua companheira de vida. Não a surpresa de receber uma nova cartinha de amor, mas surpresa de encontrá-la perdida na gaveta após tanto tempo. Não a surpresa de quem descobre um novo escritor, mas a surpresa de quem, achando que leu toda uma obra, descobre na própria biblioteca um bom livro ainda não lido, ou lido outrora sem o mesmo deleite. Não o susto de ser apunhalado pelas costas, mas a atonicidade de se descobrir perdoando de verdade. Não a surpresa de quem descobre um escândalo religioso, mas a alegria misteriosa de quem descobre o cristianismo puro e simples. Não um grande presente ou uma festa surpresa dos amigos em volta, mas um grande abraço de quem não se vê há muito tempo. Não a surpresa de um texto extraordinário, mas a publicação de um texto banal após tanto tempo sem escrever. Surpresas e sustos, bons e ruins, que vão fazendo da vida algo realmente interessante - às vezes até assustador - e que vão fazendo de mim, aos trancos e barrancos, alguém surpreendentemente mais maduro e mais feliz a cada novo dia; a cada novo ano.

Vinícius Cássio Barqueiro
Sexta-Feira, 12 de agosto de 2011
aniversário de 23 anos
imagem:  by Vladimir Kush

3.6.11

Teologia Relacional: uma abordagem literária

Há quem diga que todo leitor é uma espécie de deus que, ao ser surpreendido com a morte de uma personagem, pode ressuscitá-la voltando algumas páginas ou mesmo reiniciando a leitura. Uma espécie de deus da tão surrada "teologia relacional", que não deseja a morte de ninguém, que tem poder de ressurreição, mas que não tem poder algum para mudar a história. Para alguns, deus meio que passivo. Para outros, Deus compassivo e amoroso.
Embora seja uma analogia bastante charmosa, confesso que para mim o Deus verdadeiro sempre esteve mais para escritor. Escritor dos bons. Escritor cuja história nem é escancaradamente óbvia, nem misteriosa demais. Escritor cuja mão ao mesmo tempo bate e acarinha. Escritor cuja história é cheia de peripécias, altos e baixos, poesia! Escritor cujos narradores e eu-líricos, consubstanciados a si-próprio, sabem a hora de aparecer e a hora de velar. Escritor, enfim, tantas e tantas vezes incompreendido pelos poucos que de fato o lêem - mesmo quando lido e discutido pelos mais conceituados literatos.
Eis assim ilustrada, conforme sempre aprendi, a diferença entre o deus com quem a qualquer momento eu poderia ter vontade de me relacionar e o Deus que desde cedo irresistivelmente me atraiu. Deus este, a propósito, sobre o qual - confesso - acabou escapando de repente uma intermitente e instigante questão: mas será possível conceber um bom escritor que não seja também um bom leitor? Por mais óbvia que seja a resposta, a mim foi preciso viajar e viajar com muita rebeldia por meio da Ortodoxia de Chesterton, grande escritor, para com prazer ser mais um a paradoxalmente descobri-la em uma nova terra que, no fundo no fundo, era exatamente a mesma de onde eu tinha partido.

Vinícius Cássio Barqueiro
Sexta-Feira, 3 de junho de 2011
imagem: M. C. Escher