"O silêncio é o mais eloqüente arauto da alegria.
Pequena seria a minha felicidade,
se eu pudesse dizer quanto ela é grande."
(Shakespeare - Muito barulho por nada)

Um Branco Súbito

Após um longo tempo de gaveta, resolvi publicar aqui no blog o conto "Si-Mesmo". Ah, foi muito interessante ver o retorno positivo dos leitores, dentre eles o seguinte e-mail de meu amigo Acacio:
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Acacio comentou, via e-mail, o conto Si-Mesmo:
"Li o seu conto e lembrei deste curta-metragem. É estruturalmente semelhante ao seu texto.

http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=1334

http://www.portacurtas.com.br/pop_160.asp?cod=1334&Exib=5937

Mais uma vez, parabéns!" (08/junho/2009)
Muito obrigado, Acacio!
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Após praticamente um mês, assisti ao curta-metragem e nossa! Vale a pena assistir. O curta-metragem chama-se "Um Branco Súbito" (2001), é do diretor Ricardo Mehedff e possui 10 minutinhos de duração. De fato, é estruturalmente semelhante ao conto.
Aproveitando, indico a todos o site Porta Curtas, realmente um prato cheio para quem, como eu, gosta do gênero!
Por fim, agradeço a todos que estão comentando o conto com elogios, críticas e sugestões. Para quem não leu, fikdik fica o convite para ler o conto "Si-Mesmo" e para ler todos os contos aqui publicados, como "O Autor do Conto", "A Bolha", "O Conto Cruel", entre outros.
Muito obrigado pelo incentivo e pelos comentários, pessoal! Mandem notícias também!
Vinícius Cássio Barqueiro
Sábado, 27 de junho de 2009

New Soul

Vinícius Cássio Barqueiro
Terça-feira, 10 de junho de 2009

Si-Mesmo



Depois do crime, a fuga
A triste história tinha acabado de se revelar completamente quando saiu correndo e correndo e correndo, correndo às cegas, correndo em fuga. Era como se não pudesse enxergar. Não por cegueira, mas por raiva de olhar pra trás, medo de olhar pra frente e vergonha de olhar pra dentro de si-mesmo. Logo ele, que sempre se orgulhou de sua forma de ver os fatos. Logo ele, tão improvável. Maldita alucinação! Correndo, correndo desesperadamente! Tinha acabado de matar a mulher que amava, que tanto amava! Logo ele? Ele! Correndo, confuso, correndo e correndo e correndo, logo ele! Loucura. Ninguém imaginaria que seria capaz de tal crime condenável. Nem ele mesmo. Tudo confuso. Infelizmente, porém, o fato é que estava consumado: ela morta, quem diria, e ele logo interceptado pelo grupo de policiais que o seguiam. Foi o fim?

Depois da fuga, o amor
- Alô? Amor? Oi! Tudo bem, e com você? Que bom! Pois é, parece que hoje vai ser um dia bem difícil. É, julgamento de assassinato. Parece que um promotor matou a namorada com um tiro e nega culpa, acredita? Diz que viu uma alucinação e tal e que daí só atirou porque um outro apareceu querendo vingança e, é, muito, muito estranho. Coisa grave, confusa. Sim, é, vou ser o promotor do caso. Mas à noite a gente se vê, né? Não vejo a hora, amor, não vejo! Estou ansioso! Te amo tanto! Beijo. 

Depois do amor, o julgamento
- Oh, caros senhores, vejam, vejam os fatos: Sim, claro que sabemos que há muito tempo o réu serviu à Justiça, mas não, não podemos nos deixar envolver emocionalmente com este fato! Ora, se me permitem aqui respeitosamente relembrar o ditado popular, de boas intenções o inferno está cheio! Sim, outrora um promotor, sim, sim, outrora colega nobre e justo, sim, claro que sim, outrora inocente, mas agora, agora um assassino, assassino, assassino frio e calculista que merece justa punição! Todo criminoso merece justa punição! Ora, caros senhores, nossa justiça deve ser imparcial, cega, cega a qualquer sentimentalismo! A justiça é cega, senhores! Oh, Meritíssimo, diante de tantos indícios que o laudo mostra e que aqui foram exibidos! Esqueceremos da sanidade mental em que o réu se encontrava? Esqueceremos que não havia mais ninguém no local do crime além da vítima e do réu? Oh, vejam, esqueceremos que o único tiro acertou em cheio a vítima? Não, não, senhores! Só podemos concluir que o réu é culpado, o réu é culpado! 

Depois do julgamento, o crime
- Meu amor! Puxa, não via a hora de te encontrar! Sim, hoje o dia foi bem difícil mesmo, mas valerá a pena, acredite! Ah, sobre o crime de hoje? É, ele foi condenado. Triste, muito triste. Você tinha que ver que crueldade. Ele a levou a um apartamento deserto e atirou. Ele até tentou inventar que apareceu um réu que ele tinha acabado de acusar num julgamento e esse cara teria ameaçado a namorada e dito que ele iria saber o tamanho do sofrimento de ser preso por si-mesmo injustamente e tal. Daí o cara teria ameaçado atirar na namorada, por isso ele sacou o revólver e atirou no cara, mas o cara sumiu e a bala atingiu em cheio sua namorada. Diz ele que depois descobriu que o outro cara era uma alucinação dele mesmo, mas que já era tarde. Pois é, coisa confusa, estranha. Quê? Ah, amor, não se doa por eles. Nada é injusto no mundo! Se chegou a hora de ela morrer, era porque era a hora, não é? E se ele, sempre tão certinho, foi preso, fazer o quê? Motivo houve. Mas, AH! Vamos deixá-lo de lado, meu amor, porque hoje é o lindo e esperado dia! Sim, te trouxe aqui por dois motivos...
Nessa hora, ao som de sirenes policiais, alguém arrombou a porta e entrou gritando:
- Há, achei você! VOCÊ sentirá na pele a dor de ser preso injustamente por si-mesmo!
- Você? O que VOCÊ está fazendo aqui?
- Eu? Há! Você se acha muito superior com essa sua namoradazinha, né? Acham que estão imunes a tudo isso? Você verá, VOCÊ verá! Tenho certeza que você a chamou aqui pra pedi-la em casamento e contar que este é o apartamento de vocês, não é? Tenho certeza! Sei como é! Mas vou acabar com isso agora... Você verá!
Nessa hora, o invasor sacou um revólver e apontou para a namorada do promotor, coitado, logo ele, logo ele que, desesperado, nem ligou coisa com coisa, sacou seu revólver e atirou contra o invasor!
Ela caiu.
O que aconteceu? E cadê o invasor? Cadê? O invasor havia sumido, e a história tinha ficado clara. Tudo havia se encaixado. Alucinação? Ele, deserperado, não soube o que fazer. Ficou estático, confuso, até que, ao prestar atenção às sirenes, saiu correndo e correndo e correndo. 

Depois do crime, a fuga
A triste história tinha acabado de se revelar completamente quando saiu correndo e correndo e correndo, correndo às cegas, correndo em fuga. Era como se não pudesse enxergar. Não por cegueira, mas por raiva de olhar pra trás, medo de olhar pra frente e vergonha de olhar pra dentro de si-mesmo. Logo ele, que sempre se orgulhou de sua forma de ver os fatos. Logo ele, tão improvável. Maldita alucinação! Correndo, correndo desesperadamente! Tinha acabado de matar a mulher que amava, que tanto amava! Logo ele? Ele! Correndo, confuso, correndo e correndo e correndo, logo ele! Loucura. Ninguém imaginaria que seria capaz de tal crime condenável. Nem ele mesmo. Tudo confuso. Infelizmente, porém, o fato é que estava consumado: ela morta, quem diria, e ele logo interceptado pelo grupo de policiais que o seguiam. Foi o fim?

Vinícius Cássio Barqueiro
Sábado, 06 de junho de 2009

INFP

Há alguns dias voltei a fazer o teste MBTI (Myers Briggs Type Indicator) pelo Inspiira.org (leiam os links para conhecer - é bem interessante). Foi o 3o resultado diferente da minha vida! (e viva Camões e seu soneto "Mudam-se os tempos"!). Mas, então, segundo o teste, eu já "fui" INFJ, depois "fui" INTJ, agora "sou" INFP:
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INFP (Introvertion, iNtuition, Feeling, Perception) 
Seu modo principal de viver é focado internamente, lidando com as coisas de acordo com a maneira com que você se sente quanto a elas, ou de acordo com a maneira com que elas se encaixam no seu sistema de valores pessoais. Seu modo secundário é exterior, através do qual você absorve fatos principalmente através da sua intuição.
Você, mais do que outras pessoas que são intuitivas e que dão mais ouvidos aos sentimentos do que à razão pura, é focado em fazer do mundo um lugar melhor para as pessoas. Sua primeira meta é encontrar o seu significado na vida, perguntando coisas do tipo: “Pra quê eu existo? Qual é o meu propósito? De que maneira eu posso melhor servir a humanidade durante a minha vida?” Você é uma pessoa idealista e perfeccionista, e se esforça ao extremo para atingir os objetivos que identificou para si mesmo.
Você é muito intuitivo sobre as pessoas. Você conta totalmente na sua intuição para te guiar, e usa suas descobertas para buscar constantemente o valor da vida. Você está numa missão contínua para encontrar a verdade e o significado das coisas. Cada interação e cada pedaço de sabedoria adquirida é filtrada pelo seu sistema de valores, e avaliada para ver se existe algum potencial para lhe ajudar a definir ou refinar mais ainda seu próprio caminho na vida. A meta final é sempre a mesma – você se esforça para ajudar as pessoas e para fazer do mundo um lugar melhor.
Em geral, uma pessoa gentil e de muita consideração, você é um bom ouvinte e deixa as pessoas à vontade. Mesmo que reservado ao expressar suas emoções, você se importa demais com os outros, e é genuinamente interessado em entender as pessoas. Esta sinceridade é percebida pelos outros, fazendo de você um amigo especial, e em que se pode confiar. Você geralmente é muito caloroso com as pessoas que você conhece bem.
Você odeia conflitos, e faz o que puder para evitá-los. Se você precisa encará-los, será sempre utilizando a perspectiva dos seus sentimentos. Em situações de conflito, você dá pouca importância para quem está certo e quem está errado. Você presta atenção à maneira com que você se sente quanto ao conflito, e não se importa muito se seus sentimentos estão ou não corretos. Você simplesmente não quer se sentir mal. Essa característica às vezes faz com que você aparente ser uma pessoa irracional e ilógica em situações de conflito. Por outro lado, você faria um ótimo papel de mediador, e tem facilidade de resolver os conflitos dos outros, porque você entende intuitivamente as perspectivas e os sentimentos das pessoas, e quer genuinamente ajudá-las.
Você é flexível e despreocupado, até que um de seus valores seja violado. Assim, se seu sistema de valores está sendo ameaçado, você pode se tornar agressivo, lutando com muita garra e paixão por sua causa. Quando você começa um projeto no qual se interessa, é muito comum que este se torne uma “causa” para você. Apesar de você não ser uma pessoa focada em detalhes, você cobrir cada detalhe necessário com vigor e determinação, enquanto lutando por essa sua causa.
Quanto a detalhes mundanos da vida (como lavar, limpar, passar, etc), você praticamente não está ciente deles. Você pode passar meses sem perceber as manchas no carpete, mas você cuidadosamente e meticulosamente remove aquele filetinho de poeira que caiu em cima do seu caderno de projetos.
Você não gosta de ter que lidar com fatos concretos e com lógica. Seu enfoque pessoal nos seus sentimentos e na condição humana torna difícil que você lide com decisões impessoais. Você não compreende nem acredita na validade de uma decisão que não leva as pessoas em consideração, fazendo de você uma péssima pessoa para tomar esse tipo de atitude. Você provavelmente evitará análises impessoais, apesar de poder desenvolver esta capacidade, e de conseguir ser bastante lógico. Sob estresse, é comum que você utilize a lógica de uma maneira errada quando, por exemplo, num momento de raiva, em que você cita fato após fato (e geralmente não completamente corretos) em uma explosão emocional.
Você tem padrões altíssimos e é um perfeccionista. Consequentemente, você é muito duro consigo mesmo, e não dá muito valor às suas conquistas. Você pode acabar tendo problemas na hora de trabalhar em um projeto em grupo, pois seus critérios e padrões tendem a ser bem mais altos do que os do resto do grupo. Nessas situações, você pode ter um problema de “controle”. Você precisa tentar equilibrar seus ideais com suas necessidades do dia-a-dia. Sem resolver este conflito, você nunca ficará feliz consigo mesmo, e pode ficar confuso e paralisado quanto ao que fazer de sua vida.
Pessoas como você geralmente são escritores talentosos. Você pode se sentir esquisito e desconfortável em se expressar verbalmente, mas você tem uma capacidade maravilhosa de definir e de expressar no papel o que você está sentindo. Você também gosta de participar de profissões de cunho social, como na área de aconselhamento ou de educação. Você se encontra o mais confortável e feliz possível quando trabalha pelo bem das pessoas, e onde você não precisa usar lógica intensamente.
Se você desenvolver suas potencialidades você poderá realizar feitos maravilhosos, apesar de que provavelmente você nunca irá reconhecê-los como tais. E lembre-se: algumas das pessoas que mais causaram desenvolvimentos dos seres humanos no mundo foram pessoas como você.
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Leiam sobre o MBTI, tentem fazer ou refazer o teste, vejam as comunidades dos perfis no Orkut, (são interessantes!) daí, ah, comentem o que acham, se concordam ou não com o teste e com os resultados! Espero comentários.

Vinícius Cássio Barqueiro
Sábado, 30 de maio de 2009

Procrastinação

"O tempo foi passando e eu, que mantinha minha agenda sempre em dia, tirando as tarefas do caminho, fui adquirindo uma sensação de superpoder que é ao mesmo tempo a nossa criptonita: vai dar tempo, depois eu faço. (...) Sim, eu vou fazer, basta querer. Não preciso de aviso, tudo sob controle.
É a procrastinação que chegou!
(...) tem uma hora que a bruma procrastinadora é inalada, inibindo qualquer iniciativa...
(...) Como sei que isso de procrastinar é uma atitude totalmente mudável, fico mais tranqüila. Afinal, só depende de mim. E disso eu entendo!
E se não entendo, um dia eu vou. Se eu não for, alguém me leva. Se ninguém me levar, eu fico aqui e faço o que tenho que fazer! Se realmente precisar..."

TAKAI, Fernanda. In:Nunca Subestime uma mulherzinha

Vinícius Cássio Barqueiro
Sábado, 09 de maio de 2009

Mise en Abyme

No último sábado, dia 02 de maio, o Karlisson convidou os leitores de seu excelente blog Nerdson não vai à escola a completarem as falas da tirinha abaixo. O autor da melhor idéia ganharia uma camiseta, o autor da segunda melhor idéia ganharia três bottons e as dez melhores histórias seriam publicadas em seu blog.
 
Em meio a um fim de semana loucamente atarefado e (por isso) procrastinador procrastinador, decidi, claro, participar! Nisso, envolvido na minha peculiar empolgação, decidi mudar os desenhos da tirinha! Um tiro no pé, eu sei, mas um tiro tão tentador! Eis a idéia que enviei:
Conforme combinado, hoje foi divulgado o resultado e, viva, tive a honra de ficar entre os dez melhores e receber "menção honrosa por subverter a proposta inicial"! rsrsrs. =P Fiquei feliz.
Essa promoção ainda me lembrou duas coisas:
1) Nessa história de os leitores terminarem a tirinha, lembrei de um debate que tive recentemente com a Ju e depois com o Rafa e a Cah e a Cotia e a Mi cuja questão era a seguinte: o autor de um texto literário é quem planeja e escreve o texto ou quem lê e atribui significados ao texto? Qual é a opinião de vocês sobre isso? Qualquer dia escrevo mais a respeito.
2) Ao falar de mise en abyme, lembrei que ao escrever recentemente um conto "um conto" para o Programa Nascente USP, estive refletindo sobre o quanto eu gosto desse procedimento criativo de história dentro de história dentro de história. Qual é a opinião de vocês sobre isso? Qualquer dia escrevo mais a respeito.
Vinícius Cássio Barqueiro
Terça-Feira, 05 de maio de 2009
PS.: Para registrar: six mois avec toi! =-] !