Arte Pós-Moderna
Após muita insistência, a cigarra conseguiu convencer a formiga a acompanhá-la na aula de arte cigarral. Chegaram ao local, repleto de cigarras-artistas, e logo ouviram a professora-cigarra bradar: - Vamos fazer arte pós-moderna, cigarrinhas! Inovem! Rompam paradigmas! Fujam de qualquer lugar comum! Como num passe de mágica, todas as cigarras começaram a pintar cubismos, surrealismos, abstratismos e toda forma de arte fragmentária, descontínua e perturbadora. Formavam ali uma grande orquestra regida pela clave da dissonância. Enquanto isso, a formiga pintava detalhadamente a paisagem cotidiana, colorindo minuciosamente toda sorte de grãos terreais, folhas crocantes, pedregulhos montanhosos e gotas d'água arqüirisadas por fechos da luz pós-chuva. Naquela pequenina tela, um pequeno fio de água eterna cortava o chão, paralelando o caminho pelo qual as formigas costumavam marchar em trabalho, religiosamente sorridentes. Era um belíssimo quadro, quase clássico. ...