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Sobre a Viagem

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Nunca gostei de exageros, embora eu seja exagerado. Talvez seja culpa da minha paixão por paradoxos. Comecei a pensar nisso na viagem. Falavam cada exagero verdadeiro. Que lugares fascinantes! Não apenas pela imponência, nem apenas pelo capricho. Fascinantes pelo misto de grandeza e detalhamento, ambos exageradamente na medida certa. Rios de esmeralda, palácios nobres, jardins de sonhos, obras de arte, construções monumentais! Frutos de muito talento, muita coragem, muita guerra, muita loucura, muita fé, muito tempo! É como se a História toda estivesse ali, palpável. Que privilégio! Listaria tudo isso, aliás até listei num rascunho que acabei de abandonar. É que tiraria o foco deste texto. Dizia eu que comecei a pensar nisso na viagem, e não falo da minha viagem. Falo da viagem dela. É, o intercâmbio. Nunca gostei de me expor, embora aqui esteja. Falavam cada exagero falso. Essa viagem nos afasta, mas nos aproxima tanto! Acho fascinante nossa caminhada, ...

Por não estarem distraídos

"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande p...

A Companheira

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"(...) ao novo dia em harmonia, a sempre forte e meu suporte quando vacilo, porte tranqüilo, voz de carinho no meu caminho, leal, paciente constantemente (...)" Drummond um ano.

Cidadão do nosso tempo

"Ser um “cidadão do nosso tempo” é essencialmente afirmar com todas as forças não suportar a mentira e a injustiça, e em seguida, dizer que a verdade é relativa e que não existe certo e errado." (  Edson Camargo  )

Presença Ansiada

Assim que entrei. Fui dominado por aquela presença. Não a verde do grande quadro negro. Ou a bege dos colegas de classe. Mas a pequena presença azul-celeste. Clara e branca. Esvoaçante. Ansiada. Ela sempre me inquietava. Mas naquele dia. Aquela presença. Tomava toda minha atenção. E tensão. Necessidade de preenchimento. Observava-a de longe. Timidamente. Desejante. Atento. Aquele azul e branco movia-se. Pra lá. E pra cá. Meus olhos compenetrados. Observavam. Ela movia-se. Abria-se em branco. As mãos em movimento. E fechava-se em azul. Lentamente. Passivamente. Ia. E vinha. Eu já não disfarçava a angústia. Desejava-a. Meu corpo se mexia. Erguia-se à procura. À espera. Aos pequenos movimentos. Intensificava-se. Mais. Meus olhos chamavam-na. Ela saia de vista. E voltava. E ficava parada. E logo se movia. Cada vez mais perto. Cada vez mais perto, cada vez mais. Perto. Perto. Perto perto perto. Perto! Dentro de mim! Dentro da sala. De aula. Não ouvia o professor. Mas aprendia. A esperar...

Pequenas Coisinhas

A formiga e a cigarra estavam sentadas, conversando e observando as primaverais cores e flores que tinham chegado após aquele duro inverno. As maiores brigas tinham passado, mas as pequenas coisinhas ainda floresciam, apertavam. A formiga virou e reclamou: - Você só fala de você! Por que não falamos de mim? Daí continuaram a falar da cigarra e de sua mania de falar de si mesma. Ignoravam as flores, as cores, o duro inverno que tinham vencido juntas.

Efeitos Colaterais

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