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Navegar na Internet

Não se usa mais "navegar na internet", talvez porque 'navegar' conota um papel ativo e um senso de direção que andam bem raros. Tanto que não me surpreenderá quando surgir algo como "lançar-se à deriva na internet", ou mesmo "naufragar-se". Originalmente publicado no Twitter .

Minha função

Enquanto estudo regressão linear Por mais simples que possa parecer a explicação do mundo inteiro por meio das relações cartesianas de duas retas em cruz, a infinidade de cada uma delas - tempo e espaço - sempre será intangível à compreensão humana. Mas os poetas - ah, os poetas! - esses insistem em tanger o intangível, projetando o eixo da similitude (paradigmático) por sobre o eixo da contiguidade (sintagmático), segundo a teoria das funções da linguagem preconizada pelo mestre Jakobson. Dentre as funções, ainda prefiro a melhor.

Virtuose

Como se já não bastasse ser virtuosa... hoje o dicionário me contou que minha esposa é também virtuose.

Relações Construtivas

Não aquelas em que falamos mal das pessoas, fatos ou ideias, mas aquelas que nos ajudam a enxergar alternativas e aspectos positivos em qualquer ocasião, mesmo nas mais adversas. Falar mal é fácil e se faz com qualquer desconhecido, mas falar bem e com propriedade requer prática, disposição e profundidade nas relações. Tomando emprestadas as palavras de Jakobson: falar mal é dispor da função fática, mas falar bem é dispor das demais.

Deviam ou Deveriam?

O que deviam ou o que deveriam ter feito? Nenhum dos dois. Neste caso é melhor utilizar apenas a primeira pessoa do presente do indicativo: "o que eu devo fazer?"

Eternidade

Eternidade: palavra metalinguística que denota o tempo necessário para compreendê-la de verdade.

Esse ou Este?

Sendo escrita e leitura processos cada vez menos lineares no tempo e no espaço, a escolha entre esse ou este já não depende mais de antes ou depois, nem de próximo ou distante: virou escolha meramente estilística.

Por meio do através

Em época de tremenda superficialidade, não é de se estranhar que, apesar de a língua ser totalmente metafórica, inclusive em contextos formais, o uso do "através" seja tão condenado por possuir o sentido de "atravessar": vivemos em uma época em que tudo é possível, desde que não "atravesse" nada ou ninguém: desde que seja superficial. Eis assim, como sempre foi e há de ser, a língua como reflexo da sociedade: através dela - corrigiriam, por meio dela - revelam-se nossos maiores melindres: temos total liberdade de falar ou fazer tudo, desde que absolutamente nada seja alterado.