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a partir de mim,

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enquanto parto em direção à luz interior além do horizonte que ilumina o longo caminho da jornada em que sigo e que é a mesma que estica a sombra que me segue e que se estira a partir de mim, "Remorse, or Sphinx Embedded in the Sand", by Salvador Dali  

Livros molhados

Começo a perceber que a intensidade das chuvas que nos sobrevêm são proporcionais ao número de livros que carrego comigo e à fragilidade das sacolas que uso para carregá-los. Ademais: constato que a tempestade se deleita ao molhar os pertences dos desprevenidos; lembrando que, em muitos casos, "desprevenido" não é apenas quem carrega livros debaixo de chuva, mas sim todo aquele que a mim os empresta - quer sejam bibliotecas, quer sejam amigos.

Critério de Valor

Todo bom critério é evidente. E não há melhor critério do que o respeito ao próximo, o respeito àqueles que, semelhantemente a você, possuem defeitos e qualidades, que erram e acertam, que tentam, cada um à sua maneira, fazer o que julgam ser o melhor. Respeitar os outros, inclusive, no meu caso, é respeitar a mim mesmo, respeitar os meus valores, valores tão cuidadosamente plantados e cultivados por quem verdadeiramente me ama. Por quem me respeita acima de tudo. Respeito é o contrário de fazer vista grossa ou largar mão: respeito é o ápice da atenção, do olhar atento, do esforço em entender e, se preciso, ajudar e melhorar. Do esforço em aceitar a ajuda alheia, sempre alheio a vaidades. Respeito é o critério que mais faz inflar positivamente o juízo de valor sobre qualquer avaliado. É o critério que não precisa de explicação, tampouco de argumentação ou de forçação. É o critério cristalino: sólido e transparente como cristal. Respeito é o valor evidente em qualquer pess...

Chora-se

O tão inesperado que veio. O que se foi tão inesperadamente. O tão esperado que pode não vir. A convicta esperança no que virá.

Der Radwechsel

« Sento-me à beira da estrada. O motorista troca o pneu. Não quero estar lá, de onde venho. Não quero estar lá, aonde vou. Por que assisto à troca do pneu com impaciência? » (Bertold Brecht, trad. Ricardo Domeneck , via Gustavo Nagel )

Quem vem do lado oposto

Já pouco importa se é grande linha de frente ou pequena tropa de elite: talvez prefira não estar em guerra alguma.

Um Mundo Melhor

Quando seu olhar me pergunta se estou alcançando aquele objetivo bonito que anunciei ao chegar aqui de ajudar a melhorar o mundo por meio da educação respondo que sim porque no mínimo estou aprendendo a ser alguém melhor e essa é a principal parte que cada um de nós pode fazer à sociedade enquanto: respira, menino, simplesmente responde esse seu sorriso atento, enraizando-me a certeza de que, por mais torto que possa parecer, estamos no caminho certo.

Tempo frio e banho quente

O que sinto por tempo frio é pura paixão avassaladora: desejo intenso e passageiro seguido de dor e desespero. Já o que sinto por banho quente em tempo frio, e só em tempo frio, é como o amor verdadeiro: se titubeio para entrar, depois não quero mais sair. Tempo frio e banho quente: combinação perfeita, desde que respeitadas tais condições. Mas muitos adoecem por subverterem essa ordem.

Aprendendo

Estou aprendendo tanto com você! - digo, felicíssimo, pensando também agradar com essa minha felicidade. Mal sei que gostaria não apenas de ouvir isso, mas principalmente de poder dizer-me o mesmo.

Deviam ou Deveriam?

O que deviam ou o que deveriam ter feito? Nenhum dos dois. Neste caso é melhor utilizar apenas a primeira pessoa do presente do indicativo: "o que eu devo fazer?"

Valor

Em vez de visar ser valorizado, viver sendo valoroso.

Aforismos

Hei de ter dois tipos de críticos: um que apontará minha mania de utilizar dois-pontos e ponto-e-vírgula; outro que apontará minha mania de dividir tudo em dois tipos. No entanto, nenhum deles será tão assertivo quanto aquele que apontar minha mania de, sistematicamente, começar sempre negando uma coisa verossímil para, logo em seguida, afirmar com convicção algo menos superficial. Ou ainda: minha mania de exemplificar com metáforas como quem arranca uma planta da terra para, em seguida, propor o jeito certo de plantá-la e cultivá-la. Literalmente, pelo menos até aqui, é assim que penso e, sobretudo, é assim que escrevo. Pura diversão!

Foco

Menos naquilo que já sei; mais naquilo que hei de aprender e, principalmente, de ensinar.

O que sou

É aquilo que sempre digo, só que não: é aquilo que sempre faço.

O dilema das portas

Uma das metáforas mais significativas a que recorro para explicar meu comportamento, tanto meus acertos quanto meus erros, é a seguinte: "meu prazer é abrir portas". Quando penso em abandonar tal comportamento, deparo-me com este trecho lindo e me conforto: "Todos conhecemos que a noite e os dois lados que todas as noites têm: a noite dentro de casa e a noite fora de casa. Ou seja: há a tranquilidade e o esperado e há, ainda, o medo e a estranheza. Claro que se poderá sempre dizer que a poesia não se encontra nem em um lado nem no outro: a noite tem dois lados e a poesia é a porta da casa no momento em que é aberta e o escuro cobre a relva e o céu. Mas quando alguém tem medo, deve correr para casa; e quando sente tédio, deve correr para a parte de fora da casa. E a poesia, que parece uma coisa parada, resolve, ao mesmo tempo, o tédio e o medo, o que é bom e dois, sendo uma única, a poesia. Uma coisa que caminha, ao mesmo tempo, para seu lado direito e para o esquerdo...

Os passos seguintes

Continuação do texto " O primeiro passo " De fato, "a consciência da própria condição continua sendo o primeiro passo para uma possível mudança de vida". No entanto, é preciso ir mais além e definir a  direção  desse passo inicial, bem como quais devem ser os passos seguintes. Por exemplo: se o problema a ser combatido é a Vaidade, reconhecer os próprios erros pode, em vez de ajudar, apenas atrapalhar o pobre vaidoso: "vejam como sou bom: eu reconheço minhas fraquezas."  (há, inclusive, quem se orgulhe dos próprios defeitos). Por isso, apesar de essencial, a consciência da condição atual não basta: também é preciso saber aonde se quer chegar e qual o caminho a seguir.

Dá a luz

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Aquilo de anos anteriores - melhorar no violão e na paciência, no francês e na persistência, na cozinha e no companheirismo, no bolso e na responsabilidade, na escrita e nas leituras, na garupa e na prudência, na dança e na doçura, na erudição e na prática espiritual - mas com uma diferença marcante: agora casado e também muito feliz por isso. Tanta coisa outrora tão distante e agora tão real. Ano fantástico esse que dá a luz ao que acaba de nascer. Por aí, de um lado, quem deseja felicidade a todos, indistintamente. De outro, quem a deseja só a quem de fato merece. Por aqui, o desejo de que todos tenham, sim, a felicidade: seja por merecimento, seja - principalmente - por misericórdia divina. Digo por experiência própria. Quero transbordar aos outros o que recebo em abundância. Refletir ao meu redor toda a luz que me ilumina.

Promessa

Um dia ainda aprenderei que o bonito não é assumir um monte de coisas das quais não dou conta, mas cumprir completamente o pouco que eu assumir. Saberei que mais honroso do que sair de uma situação complicada é simplesmente ter o discernimento de não entrar nela. Pararei de querer abrir um milhão de portas - como aquelas do saguão de entrada apresentado por Lewis - e simplesmente adentrarei em uma delas, convicto de onde irei repousar minhas angústias e esperanças: convicto de que ela levará a um jardim com um longo caminho pela frente. E minha caminhada será muito menos corrida, pois perderei menos tempo juntando chaves que destrancam portas irrelevantes. E os passos mais vagarosos me permitirão notar as belezas de cada detalhe do novo caminho, principalmente as pessoas que estiverem na mesma rota. E essa contemplação do presente tirará toda a ansiedade do futuro, pois perceberei que, em vez de sozinho, estou seguindo muito bem acompanhado. E saberei finalmente desfrutar do...

O Primeiro Passo

Muitos desafortunados deixam de ser felizes por pura falta de oportunidade: a vida acaba forçando-os a se distanciarem daquilo que lhes realizaria. Outros, grandes tolos como eu, às vezes esnobam a felicidade por pura falta de discernimento: não sabem dar prioridade ao que lhes é oferecido com fartura. De um jeito ou de outro, ainda bem que a consciência da própria condição continua sendo o primeiro passo para uma possível mudança de vida.

Lançamento do Livro do III Festival de Literatura da Letras

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Foto dos livros publicados, por Israel Antonini No último dia 18 de janeiro de 2012, no centro cultural b_arco , aconteceu o lançamento do livro-coletânea do "III Festival de Literatura da Letras - USP", no qual um conto meu foi publicado. O festival foi organizado pelos estudantes de Letras da USP em meados de 2008 e premiou os três melhores contos e os três melhores poetas. Meu texto, "O autor do conto", ficou em segundo lugar em sua categoria. A edição do livro, publicado pela Ed. Humanitas, ficou incrível! Destaque para a  linda ilustração  de capa de  Juliana Cordaro . Apesar da chuva forte, foi uma festa muito agradável! Além das conversas boas, houve uma performance de Chiu, do grupo Philomundus , e um sarau tão bom que conseguiu até quebrar a timidez que até então me acompanhava naquela noite (e que ainda me acompanha um pouco quando falo da publicação). Gostaria de registrar o agradecimento especial a Israel Antonini...