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Mostrando postagens com o rótulo G. K. Chesterton

Sem chegar a lugar algum

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12:00 Vale lembrar: a dicotomia benjaminiana já não comporta mais o narrador contemporâneo, pois ele nem é o viajante que volta para contar o que viveu, nem o velho familiar que sempre permaneceu na vila. O novo narrador, amante de Borges, que viaja vice-versa da casa ao trabalho e eventualmente ao lazer (do nada ao vazio, como preconizam os orientais), nem sai, nem fica: é eterno transeunte baudelariano girando na roda viva do Yin-Yang subjetivo. É por isso que a narrativa contemporânea dá tanto rodeio sem chegar a lugar algum. 03:00 G. K. Chesterton (escritor britânico cuja felicidade consistiu em fazer uma longa viagem para chegar exatamente no lugar de onde partiu, sentindo a aventura do viajante e a segurança familiar do aldeão, conforme narra em Ortodoxia ), preocupado com os rumos que a narrativa mundial tomava, sugeriu o seguinte: se não é possível sair do círculo da loucura, é preciso pelo menos expandi-lo, deixar de centrar-se no indivíduo e, de fato, descentrar-se ...

"O lado bom da vida" e a polêmica dos finais felizes

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“ O louco – diz Chesterton – não é aquele que perdeu a razão; o louco é aquele que perdeu tudo, menos a razão ”. A loucura é a incapacidade de fazer algo despretensioso. Difícil falar de um filme tão sensível e inteligente de maneira completa e sem spoilers . Por isso, escrevo aqui apenas alguns fragmentos de minhas impressões, voltadas principalmente a quem já o assistiu. A quem ainda não assistiu, minha veemente indicação. Silver linings playbook , em cartaz no Brasil como O lado bom da vida , conta a história de Pat, internado após um ataque eufórico ao descobrir a esposa com um amante. O filme começa com a saída de Pat da clínica, ainda bipolar, buscando recuperar o tempo perdido. Nesse processo, ele conhece Tiffany, também com transtornos mentais desde a trágica morte do marido. Juntos, enfrentando preconceitos e desafios, eles vão tentando redescobrir a sanidade. Muitos podem dizer que o filme quer mostrar quanto todo mundo é um pouco louco, mas eu digo o contrário: o f...

Teologia Relacional: uma abordagem literária

Há quem diga que todo leitor é uma espécie de deus que, ao ser surpreendido com a morte de uma personagem, pode ressuscitá-la voltando algumas páginas ou mesmo reiniciando a leitura. Uma espécie de deus da tão surrada "teologia relacional", que não deseja a morte de ninguém, que tem poder de ressurreição, mas que não tem poder algum para mudar a história. Para alguns, deus meio que passivo. Para outros, Deus compassivo e amoroso. E mbora seja uma analogia bastante charmosa, confesso que para mim o Deus verdadeiro sempre esteve mais para escritor. Escritor dos bons. Escritor cuja história nem é escancaradamente óbvia, nem misteriosa demais. Escritor cuja mão ao mesmo tempo bate e acarinha. Escritor cuja história é cheia de peripécias, altos e baixos, poesia! Escritor cujos narradores e eu-líricos, consubstanciados a si-próprio, sabem a hora de aparecer e a hora de velar. Escritor, enfim, tantas e tantas vezes incompreendido pelos poucos que de fato o lêem - mesmo quand...

Filosofia para a Sala-de-Aula

G.K. Chesterton (Daily News, 22 de junho de 1907) Fonte: HOTTOPOS Tradução de Gabriele Greggersen O que o homem moderno precisa compreender é simplesmente que toda a argumentação começa com uma afirmação ponto-de-partida; isto é, com algo de que não se duvida. Pode-se, é claro, duvidar da afirmação base, mas, nesse caso, já estaria dando início a outra argumentação diferente, propondo que se parta de outra suposição. Todo argumento inicia por um dogma infalível, e esse dogma absoluto, por sua vez, só pode ser discutido, se recorrermos a outro dogma infalível: nunca se pode provar o primeiro ponto-de-partida (senão não seria ponto-de-partida). Este é o be-a-bá do raciocínio lógico. E tem esta vantagem especial de que pode ser ensinado na escola, como qualquer outro be-a-bá. Não dar início a qualquer discussão sem antes declarar abertamente os postulados de cada um, é uma regra a ser ensinada tanto na filosofia, quanto na matemática de Euclides, ou em qualquer aula comum, u...