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Respiração Artificial, de Ricardo Piglia

Resenha participante do Desafio Literário 2013 Respiração Artificial  foi o primeiro livro de ficção que li do argentino Ricardo Piglia. Do mesmo autor, antes, apenas Formas breves , um dos mais belos livros de ensaios que já devorei, ou melhor, que venho devorando incessantemente. Aliás, foi Formas breves que me fez correr atrás da ficção do hermano. No fundo, e na verdade, acho difícil definir qual dos dois é ficção, qual dos dois é ensaio teórico, qual dos dois é mais encantador. A única coisa que sei até aqui: de Piglia, quero ler cada vez mais. A sinopse de Respiração Artificial é simples, embora o livro seja bastante denso. Emilio Renzi, evidente auter ego do autor, vai dialogando com diversos personagens emblemáticos de maneira assustadoramente profunda e erudita sobre historiografia, filosofia, teoria literária, vida. No fundo, digo do ponto de vista da minha opinião ainda superficial, o livro é uma grande pretexto do qual Piglia dispõe para apresentar relatos autob...

Juliana

Esses seus olhos Jabuticabais Cor e delícia Essenciais Doce carícia Da sua boca Santa malícia Do seu sorriso Dá minha paz.

Carpe Diem

A felicidade é a colheita que fazemos daquilo que plantamos. De fato, boas leitura são sementes de sabedoria. Porém, não é a quantidade de livros que deixa a sabedoria mais farta, mas a qualidade das reflexões brotadas do que lemos. Isso não exclui a leitura compulsiva: quanto maior a quantidade de livros que lemos, maior a probabilidade de colhermos boas reflexões. O mesmo vale para a vida: não é a quantidade de anos que determina a felicidade, mas a qualidade com que os vivemos. No entanto, isso não invalida a importância de conservar a saúde, pelo contrário: quanto mais velhos e ainda saudáveis, maior a probabilidade de vivermos momentos felizes. A sabedoria, assim como a velhice, requer tempo. Mesmo aceitando que a vida é fugaz, é preciso saber: a melhor maneira de colher o dia é fazer a fugacidade da vida durar o máximo possível. A vida: não apenas consumi-la; sobretudo conservá-la. A melhor colheita, antes de tudo, é aquela bem plantada e bem cultivada.

Os passos seguintes

Continuação do texto " O primeiro passo " De fato, "a consciência da própria condição continua sendo o primeiro passo para uma possível mudança de vida". No entanto, é preciso ir mais além e definir a  direção  desse passo inicial, bem como quais devem ser os passos seguintes. Por exemplo: se o problema a ser combatido é a Vaidade, reconhecer os próprios erros pode, em vez de ajudar, apenas atrapalhar o pobre vaidoso: "vejam como sou bom: eu reconheço minhas fraquezas."  (há, inclusive, quem se orgulhe dos próprios defeitos). Por isso, apesar de essencial, a consciência da condição atual não basta: também é preciso saber aonde se quer chegar e qual o caminho a seguir.

Para saber estar junto

Todo bom relacionamento – seja ele familiar, conjugal, profissional, entre amigos, enfim – todo bom relacionamento nos faz valorizar os pequenos prazeres da vida, inclusive os breves – e prazerosos – momentos de introspecção. Afinal, bons momentos a sós são a base de bons diálogos e bons diálogos são a base de bons relacionamentos. Mas vale enfatizar: breves – e prazerosos. Se os momentos a sós forem muito constantes ou não existirem, acabar-se-ão os diálogos e, com eles, qualquer possibilidade de relacionamento. Ou ainda em outras palavras – penso cá comigo mesmo: para saber estar junto, há de se saber ficar sozinho.

E é isso que devemos buscar

Um bom livro não depende da grande quantidade de trechos bons e citáveis; depende, antes, da ausência de trechos não-citáveis. Ou melhor: um bom livro é aquele de quem não conseguimos citar nada que não pareça, ainda que genial, incompleto ou injusto em relação aos demais trechos. Assim também as pessoas boas: não aquelas com muitas qualidades, mas aquelas - na medida do possível - com cada vez menos defeitos. Embora não seja costume, encontra-se qualidades em qualquer pessoa, qualquer uma. Raro é achar alguém sem defeitos. E é isso que devemos buscar, não nos outros, mas em nós mesmos: mais do que grandes atos, poucos trechos não-citáveis. Menos defeitos e mais integridade.

It's Friday

Bem-aventurado aquele cuja alegria da sexta-feira não é apenas pelo final de mais uma semana trabalhosa, mas também - e principalmente - pelo início de mais um final de semana promissor.