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Um livro pra chamar de seu

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Paquerou muitos em bibliotecas e livrarias. Paixões fugazes que começavam e terminavam num cafezinho ou num puf. Saboreava-os o máximo que podia, pois o tempo urgia. Depois vieram os virtuais, clandestinos. Promissores, mas sem a delícia do toque ou do cheiro. Até que passou a alugar alguns. Amor a prazo, bom, mas sujeito a punições. Sem atrasos. Sem marcações. Livros sem donos, livres, feitos apenas para passarem de olho a olho, de mão a mão. Mesmo assim, mais possíveis do que se roubasse, ou melhor, emprestasse das amigas, embora a emoção de pegar um livro alheio fosse muito atraente. Ainda mais quando as amigas falavam bem do dito-cujo. Um dia começou a querer um livro pra chamar de seu. Trabalhou muito, economizou, e conseguiu um. Tantas opções. Tão iguais. No começo lia-o devagarzinho, com cuidado, saboreando-o delicadamente. Queria que não tivesse fim. E até que durou bastante. Mas um dia o livro acabou. Virou lembrança, empoeirada. Sabia de cor a história. Podia prever...

Por uma nova metodologia de disputa acadêmica: Lattes-Cards

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Figura 1. Paul Cézanne: Les jouers de carte ABSTRACT: Discute-se muito acerca da influência do capitalismo no ambiente acadêmico, inclusive no curso de Letras da USP, tradicionalmente de cunho mais socialista. Isso porque a carreira científica tem sido vista cada vez mais como uma trajetória em que é preciso consumir bibliografia e acumular notas, publicações, congressos e premiações para se dar bem na disputa por crescimento no "mercado acadêmico". Tendo em vista isso, e baseado sobretudo na obra de Jorge Cham ( CHAM : 2011 ), nosso trabalho tem por objetivo propor a criação do jogo de cartas que denominamos "Lattes-Cards". Nessas cartas, os pontos acadêmicos acumulados pelos docentes seriam organizados e divididos por critérios de comparação já usados pelas principais agências de fomento (ex. figura 2 ). Após a etapa de coleta de dados e criação das cartas, distribuir-se-iam as mesmas aos alunos de Letras da USP via JúpiterWeb, de modo a facilitar a já trad...

The Next Time Around

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Videoclipe da música The Next Time Around, da banda Little Joy. "if nothing ventured, nothing earned" de saída para Ilha Comprida! =)

Ano que foi, ano que vem

Ainda não me acostumei a escrever texto de passagem de ano. Poderia listar grandes acontecimentos ocorridos, como meu término de relacionamento de mais de dois anos com a Fundap, meu antigo emprego, lugar onde cresci demais em todos os sentidos e que me abriu diversas portas. Lugar que deixou saudade. Ainda falando em saudade, poderia escrever sobre a  volta de ma petite Juliana , de como seu intercâmbio foi uma experiência enriquecedora para nós dois e de como, mesmo longe, mantivemo-nos próximos, juntinhos, caminhando a passos vagarosos e firmes, lado a lado, nesse caminho abençoado e maravilhoso. De como, agora já com mais de dois anos de namoro , o respeito e a ternura continuam nos guiando, e de como ainda me surpreendo com cada qualidade julianística que vai se revelando no simples, no dia-a-dia, no cotidiano. Do quanto ela, Juliana, é uma espécie de luz que me faz enxergar, como num susto, a felicidade. Falando em sustos, poderia escrever sobre o baita susto q...

Para ser conciso

Para ser conciso, é preciso escrever muito.

J'Attendrai Le Suivant

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Curta-metragem J'attendrai Le Suivant, de Philippe Orreindy.

Por Amor

Talvez ambas, cigarra e formiga, nunca se toquem do quanto se amam. Se soubessem, talvez a cigarra tentasse acordar todo dia na mesma madrugada, em plena escuridão do amanhecer, para ir lá, bocejante e desengonçada, tentar acompanhar a incessante marcha operária da outra em busca de folhas sem fim. Cumpriria o papel ridículo de saltitar em meio aos passos firmes e ligeiros de miúdas patinhas incansáveis, terminando a jornada entalada, em plena entrada do formigueiro, empacando o caminho das demais sem trazer uma mísera folhinha. Tudo por amor. Sem contar que talvez a formiga abandonasse o trabalho da vida toda para ficar ensaiando músicas ao longo do dia, desafinando agudos incorrigíveis nas suas rimas pobres de amor e dor. Cumpriria o papel ridículo de questionar ao sol e à lua como, de repente, a outra deixou de procurá-la nos invernos esfomeantes, e terminaria expulsa do formigueiro e desamparada no frio da solidão. Tudo por amor. Cada uma, pouco a pouco, deixaria de s...