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Si-Mesmo

Depois do crime, a fuga A triste história tinha acabado de se revelar completamente quando saiu correndo e correndo e correndo, correndo às cegas, correndo em fuga. Era como se não pudesse enxergar. Não por cegueira, mas por raiva de olhar pra trás, medo de olhar pra frente e vergonha de olhar pra dentro de si-mesmo. Logo ele, que sempre se orgulhou de sua forma de ver os fatos. Logo ele, tão improvável. Maldita alucinação! Correndo, correndo desesperadamente! Tinha acabado de matar a mulher que amava, que tanto amava! Logo ele? Ele! Correndo, confuso, correndo e correndo e correndo, logo ele! Loucura. Ninguém imaginaria que seria capaz de tal crime condenável. Nem ele mesmo. Tudo confuso. Infelizmente, porém, o fato é que estava consumado: ela morta, quem diria, e ele logo interceptado pelo grupo de policiais que o seguiam. Foi o fim? Depois da fuga, o amor - Alô? Amor? Oi! Tudo bem, e com você? Que bom! Pois é, parece que hoje vai ser um dia bem difícil. É, julgame...

Procrastinação

"O tempo foi passando e eu, que mantinha minha agenda sempre em dia, tirando as tarefas do caminho, fui adquirindo uma sensação de superpoder que é ao mesmo tempo a nossa criptonita: vai dar tempo, depois eu faço. (...) Sim, eu vou fazer, basta querer. Não preciso de aviso, tudo sob controle. É a procrastinação que chegou! (...) tem uma hora que a bruma procrastinadora é inalada, inibindo qualquer iniciativa... (...) Como sei que isso de procrastinar é uma atitude totalmente mudável, fico mais tranqüila. Afinal, só depende de mim. E disso eu entendo! E se não entendo, um dia eu vou. Se eu não for, alguém me leva. Se ninguém me levar, eu fico aqui e faço o que tenho que fazer! Se realmente precisar..." TAKAI, Fernanda . In: Nunca Subestime uma mulherzinha Vinícius Cássio Barqueiro Sábado, 09 de maio de 2009

Mise en Abyme

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No último sábado, dia 02 de maio, o Karlisson convidou os leitores de seu excelente blog  Nerdson não vai à escola a completarem as falas da tirinha abaixo. O autor da melhor idéia ganharia uma camiseta, o autor da segunda melhor idéia ganharia três bottons e as dez melhores histórias seriam publicadas em seu blog.   Em meio a um fim de semana loucamente atarefado e (por isso) procrastinador procrastinador , decidi, claro, participar! Nisso, envolvido na minha peculiar empolgação, decidi mudar os desenhos da tirinha! Um tiro no pé, eu sei, mas um tiro tão tentador! Eis a idéia que enviei: Conforme combinado, hoje foi divulgado o resultado e, viva, tive a honra de ficar entre os dez melhores e receber "menção honrosa por subverter a proposta inicial"! rsrsrs. =P Fiquei feliz. Essa promoção ainda me lembrou duas coisas: 1) Nessa história de os leitores terminarem a tirinha, lembrei de um debate que tive recentemente com a Ju e depois com o...

Filosofia para a Sala-de-Aula

G.K. Chesterton (Daily News, 22 de junho de 1907) Fonte: HOTTOPOS Tradução de Gabriele Greggersen O que o homem moderno precisa compreender é simplesmente que toda a argumentação começa com uma afirmação ponto-de-partida; isto é, com algo de que não se duvida. Pode-se, é claro, duvidar da afirmação base, mas, nesse caso, já estaria dando início a outra argumentação diferente, propondo que se parta de outra suposição. Todo argumento inicia por um dogma infalível, e esse dogma absoluto, por sua vez, só pode ser discutido, se recorrermos a outro dogma infalível: nunca se pode provar o primeiro ponto-de-partida (senão não seria ponto-de-partida). Este é o be-a-bá do raciocínio lógico. E tem esta vantagem especial de que pode ser ensinado na escola, como qualquer outro be-a-bá. Não dar início a qualquer discussão sem antes declarar abertamente os postulados de cada um, é uma regra a ser ensinada tanto na filosofia, quanto na matemática de Euclides, ou em qualquer aula comum, u...

Insatisfações?

 by Juliana Peres: "Sim! é maravilhoso!  mas acho também que a gente deve se dar o direito de não se contentar tanto sempre. Eu sempre fui muito rígida com isso comigo, mas de uns tempos pra cá, acho que não dá pra cair tanto no outro extremo. Que não dá pra se obrigar a cair no outro extremo. Que as insatisfações existem e, paciência, a gente não precisa ficar sempre brigando com elas . O  que não pode, o que não dá, é achar que elas são, então, o centro da vida! Que tuuuudo é ruim! E que tudo gira em torno disso, e então, pronto, cabô, que droga de vida! rsrsrs. Isso eu acho péssimo! Aí não dá! A vida tem um montão de coisas boas e bonitas e pessoas adoráveis ao nosso redor também!" Que neste ano não sejamos alienados que tentam ignorar as coisas ruins, mas que também não sejamos alienados que não vêem o tantão de coisas boas ao nosso redor! ;-)

Silêncio e Alegria

"O silêncio é o mais eloqüente arauto da alegria. Pequena seria a minha felicidade, se eu pudesse dizer quanto ela é grande."  William Shakespeare - Muito barulho por nada  =-]

O Sonho

Foi inesquecível. Cada sorriso e perfume e gargalhada e silêncio contemplativo não eram apenas um momento: eram a concretização de anos de expectativa e sonho. Aliás, sonho?! Sim, chegou até a duvidar de que tudo aquilo era real, mas logo lembrou que essa tal história de coisa boa só acontecer em sonho é puro clichê de mini conto. Sorriu. Era tarde, por isso despediram-se. Foi para a sua casa contando as horas para a manhã seguinte chegar. A viagem seria longa, por isso tinham combinado de aproveitar cada momentinho possível na manhã seguinte. Assim, chegando em casa, mal adormeceu e já ouviu o despertador programado pra muito antes, já que o medo de atrasar era assustador. Tomou o banho, tomou o café, tomou o ônibus, enfim, tomou coragem, muita coragem, e lá foi. Quem também foi embora foi o medo de chegar tarde, já que, chegando lá, viu o sonho real: lá estava em frente à porta, sorrindo, em silêncio, apenas esperando o abraço. Correu largando as lágrimas, até parar e ouvir o s...