Postagens

O Sonho

Foi inesquecível. Cada sorriso e perfume e gargalhada e silêncio contemplativo não eram apenas um momento: eram a concretização de anos de expectativa e sonho. Aliás, sonho?! Sim, chegou até a duvidar de que tudo aquilo era real, mas logo lembrou que essa tal história de coisa boa só acontecer em sonho é puro clichê de mini conto. Sorriu. Era tarde, por isso despediram-se. Foi para a sua casa contando as horas para a manhã seguinte chegar. A viagem seria longa, por isso tinham combinado de aproveitar cada momentinho possível na manhã seguinte. Assim, chegando em casa, mal adormeceu e já ouviu o despertador programado pra muito antes, já que o medo de atrasar era assustador. Tomou o banho, tomou o café, tomou o ônibus, enfim, tomou coragem, muita coragem, e lá foi. Quem também foi embora foi o medo de chegar tarde, já que, chegando lá, viu o sonho real: lá estava em frente à porta, sorrindo, em silêncio, apenas esperando o abraço. Correu largando as lágrimas, até parar e ouvir o s...

A Bolha

Era linda, a bolha. Refletia-se com seu brilho arqüirisante, fascinal. E os ólhos, sóis da manhã. Flutuava entre os cotidianos, magical. Quê, mistério, complexo. Ao lado, em baixo, baixinho, espionava a sensacional. Sentia o calor dos sóis nos seus, as cores diversas, o brilho, todo o mistério dentro daquilo, bolha. Tremia. Era longe, era ilusão. Espionava-a, quietinho, e sentia borboletas quando um brilho, uma faiscazinha, correspondia. Até parece! Criou coragem. Era preciso pular muito, mesmo, para alcançá-la. Não por causa dela, que agora se colocava à sua altura, chamando-o inhamente. Ele que colocava-se baixinho, quietinho; era consciente, tadinho. Sabia, se a tocasse, explodiria, oras, como de sabão. Sabia! Assim são as bolhas, de outro mundo, irreais. O encanto partiria. Tentou, apesar, esperançoso, iludido: Puf! Mesmo assim, é, bem, os sóis, nascem toda manhã. É que é tudo dôido, doído, acentuadíssimo. Sorriso de vida, eterno como a esperança permanente, estranha...

Montanha Russa

A fila chegou, e lá estavam na Montanha Russa. Ele, e ela, os dois. Ele, o mais velho, quase experiente, só com borboletas de barriga, cotidianas. Ela, desesperada, querendo ir, arrependida, temida disso, a irmãzinha. Ele tentava acalmá-la. Falava, e falava, e falava. Não queria mentir, e isso só atrapalhava. Bem, até ele tinha um medinho. Ela, que já tinha tido medos, e gostado depois, não queria acreditar nisso, de novo. Simples. Foram. A alegria da coragem era choro: chorava. Ele, que sempre com o medinho, sempre agarrado na barra, hoje não. Apenas segurava-a ela, forte, quase solto de si, por ela, por ela. Seria de arrepiar. Ele, porém, não sentia medo nenhum. Apenas queria vê-la gostar, muito. Foi-se, se foi, foram, findando, findado. No fim, o choro, foi sorriso, nos dois, de exclamação! Ela, gostava de medo superado! Que corajosa! Ele, pela primeira vez, sem medinho algum, apesar do risco corrido. Ainda teve tempo de pensar, de concluir, só para si, sem arte, que quand...

Meus Desenhos

Imagem

Timidez

Cecília Meireles Basta-me um pequeno gesto feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve... - mas só esse eu não farei. Uma palavra caída das montanhas dos instantes desmancha todos os mares e une as terras mais distantes... - palavra que não direi. Para que tu me adivinhes, entre os ventos taciturnos, apago meus pensamentos, ponho vestidos noturnos - que amargamente inventei. E, enquanto não me descobres os mundos vão navegando nos ares certos do tempo até não se sabe quando... - e um dia me acabarei.

É Claro

É claro como o sol que é mais bonito falar do que se sonha em poesia, mas vejo o quanto é raro e esquisito que o sonho venha e vire uma alegria. É clara como a lua que é mais bela a chama da paixão inalcançável, mas veja o oceano que revela o quanto que é distante o apaixonável. É claro como o sol que é essencial chorar por sempre ser insatisfeito com este velho mundo natural e é clara como a lua que é mutante a água da distância que apaga o sonho que só dura em um instante.

Sonetos Desiludidos

Poética Desiludida Os próximos sonetos que se seguem pretendem vagamente demonstrar três grandes ilusões, antes que ceguem a nossa falha vida - vou falar: Primeiro do conceito Liberdade pois é algo buscado sem saber que não há liberdade de verdade pois sempre há um senhor pra se escolher; Segundo do conceito de Verdade pois tem sido entendido relativo e crido com certeza tão vazia; Terceiro do conceito Poesia pois é algo glorioso, algo que vivo e é algo que pratico em humildade. Liberdade Ilusória Há gente que acha linda a Liberdade, poder fazer aquilo que quiser, não ter quem diga não à sua vontade aproveitar a vida - se assim quer. Porém aqui pergunto, mas fazer o que minha vontade me mandar não é me sujeitar, não é querer ser preso a mim, a mim me acorrentar? E já que sou tão falho, limitado, não é melhor, invés de me escolher e a mim servir, ouvir o que me diz meu Deus, meu criador, que diz feliz é aquele que o servindo, só por crer, da culpa...