"O silêncio é o mais eloqüente arauto da alegria.
Pequena seria a minha felicidade,
se eu pudesse dizer quanto ela é grande."
(Shakespeare - Muito barulho por nada)

Meus Poemas

Alguns dos diversos versos que escrevo:


É Claro
Vinícius Cássio Barqueiro - 2007

É claro como o sol que é mais bonito
falar do que se sonha em poesia,
mas veja o quanto é raro e esquisito
que o sonho venha e vire uma alegria.

É clara como a lua que é mais bela
a chama da paixão inalcançável,
mas veja o oceano que revela
o quanto que é distante o apaixonável.

É claro como o sol que é essencial
chorar por sempre ser insatisfeito
com este velho mundo natural

e é clara como a lua que é mutante
a água da distância que apaga
o sonho que só dura em um instante.
__________


Soneto Sobre a Cegueira
Vinícius Cássio Barqueiro - 2007

Você não pode ver que somos cegos
que guiam uns aos outros pelo nada,
tapados pela luz de nossos egos
em meio à vil manhã enluarada?

Você não pode ouvir os nossos gritos
que buscam um sentido pela estrada
guiada de verdade e não de mitos
ao fim de uma noite ensolarada?

Você não pode ver, nenhum de nós,
que tão buscada luz às vezes cega
e o sol é refletido em lua triste?

Você não pode ouvir que estamos sós
e a voz de nossa mente a gente nega
em canto à bela Luz, a que existe?
__________

Sonetos Desiludidos
Vinícius Cássio Barqueiro - 2007

I. Poética Desiludida

Os próximos sonetos que se seguem
pretendem vagamente demonstrar
três grandes ilusões, antes que ceguem
a nossa falha vida - vou falar:

Primeiro do conceito "Liberdade",
pois é algo buscado sem saber
que não há liberdade de verdade,
pois sempre há um senhor pra se escolher;

Segundo do conceito de "Verdade",
pois é algo entendido relativo
e é crido com certeza tão vazia;

Terceiro do conceito "Poesia",
pois é algo glorioso, algo que vivo
e algo que pratico em humildade.

II. Liberdade Ilusória

Há gente que acha linda a "Liberdade",
poder fazer aquilo que quiser,
não ter quem diga não à sua vontade,
aproveitar a vida - se assim quer.

Porém aqui pergunto: mas fazer
o que minha vontade de mandar
não é me sujeitar, não é querer
ser preso a mim, a mim me acorrentar?

E já que sou tão falho, limitado,
não é melhor, invés de me escolher
e a mim servir, ouvir o que me diz

meu Deus, meu Criador, que diz: feliz
é aquele que o servindo, só por crer
da culpa do pecado é libertado?

III. Verdade Ilusória

Há gente que acha linda a tal "Verdade"
que não há uma verdade absoluta,
depende só da relatividade,
do que cada um quer ver - e não discuta.

Porém aqui pergunto: mas dizer
que não há uma única verdade
não é isso afirmar, pregar, querer
que isso seja a única verdade?

E já que sou tão falho, limitado,
não é melhor, invés de acreditar
no que eu achar, pensar no que me diz

meu Deus, meu Criador, que diz: feliz
é aquele que negando seu pensar
da verdadeira vida é sujeitado?

IV. Glória Ilusória

Não acho lindo tudo o que escrevi
por mais que seja tão metrificado
e tão certinho e tão bem planejado
pois muito quis dizer - não consegui.

Porém aqui perguntam: você fez
heroicamente versos tão limados,
tão paralelos, tão bem ritmados,
o que faltou? Sim, diga de uma vez!

Pois é que a Poesia é limitada,
não diz o que é Verdade totalmente
e do pecado não tem Liberdade.

A mim resta escrever em humildade
e a Deus, o Criador, a Ele somente
devemos dar a glória tão sonhada.
__________

Um Olhar
Vinícius Cássio Barqueiro - 2006

Hoje te vejo
mas já te vi
só que é diferente
te conheci
como explicar
não sei dizer
eu aprendi a amar você.

Ontem te via
mas não notava
te conhecia
mas não te amava
como explicar
não sei dizer
eu desejava amar você.

Será que verei
o que já vemos
te encontrei
só percebemos
como explicar
sem se dizer
com um olhar (de amo você).
__________

Às Vezes Vem um Vazio
Vinícius Cássio Barqueiro - 2006

Às vezes vem um vazio
daqui vindo de dentro
sentimento confuso
vontade de gritar
o silêncio do mundo
o excesso de tempo
quando estou só
com tanta gente longe
o medo da companhia
o que viver?

Às vezes vem um vazio
daí vindo de fora
sentimento confuso
vontade de calar
o barulho do mundo
a falta de tempo
quando estou só
com tanta gente perto
o medo da solidão
o que viver?

Às vezes vem um vazio
de lá, vindo do nada,
sentimento confuso
vontade de aceitar
a vaidade do mundo
aproveitar o tempo
quando estou só
com tanta gente assim
com seu medo da morte
o que viver?

E às vezes vai o vazio
definitivamente
sentimento confuso
decisão de negar-se
passar pelo mundo
liberto do tempo
não ser só
como gente assim
sem ter medo do medo
e viver.
__________

Sonhada Flor
Vinícius Cássio Barqueiro - 2005

Misteriosamente me encantando,
sonhando-me e vivendo realmente,
mostrando-me beleza diferente,
distância em instância e de repente.

Não sei se talvez eu tenho certeza,
só sei que algo vejo entre a gente
e carente te encaro sorridente
fingindo-me auto-suficiente.

Preciso de você e é agora,
a hora do futuro não demora,
queria o meu intento por pra fora
e sonho e quero a flor que em nós aflora.

Oh dúvida cruel que aqui confesso,
enverso como o mel que a gente sente
sozinho em segredo de semente
plantada dia-a-dia entre a gente.

Carinho nos perfume de alegria,
o sonho tão sonhado venha um dia,
o Deus que presenteia seja o guia
e a flor de nosso amor nasça e sorria.
__________

Quero
Vinícius Cássio Barqueiro - 2005

Quero escrever, enlouquecer,
poesia aqui fazer,
cheio de dor sentir prazer
neste amor louco descrever.

Quero compor algo normal,
quase confuso, bem real,
com alegria e final,
comum e sobrenatural.

Quero mostrar meu sentimento,
meu vazio contentamento,
gritar minha falta de alento,
minha culpa, meu talento.

Quero ser forte, paciente,
me alegrar por facilmente
ser tão frágil e consciente
ver o que o coração só sente.

Quero também ter alegria
rir, lembrar-me do que lia,
ir do sonho à fantasia
e vir a ser feliz um dia.

Quero, enfim, nada dizer,
só poesia aqui fazer
e mesmo sem nada entender
quero sorrir, sonhar, viver.
__________

Lindas Palavras
Vinícius Cássio Barqueiro - 2005

Lindas palavras bem rimadas dão beleza
à incerteza desses versos sem razão.
Versos sem tema, sem um rumo e sem perdão
pois são sem crimes, inocentes, ilusão.

Ah que poema lindo e solto a vagar
em lindos mares coloridos, irreal,
tal qual o silêncio surrurrante a gritar
em minha mente viajante a imaginar.

E o melhor de tudo não está aqui,
que é a certeza disso tudo ser real,
com inocência e alegria, sem o mal
que existe dentro do mundo fora de mim...

Mas sendo assim o que ele pode aqui fazer?
Somente ser lindo poema, e nada mais,
porque vagando ele abraça a ideais
como sorrir, sonhar, viver sonhos reais.

2 Comentários:

Suenia Barbosa de Almeida disse...

Oi Vini,
Puxa fazia tempo que não vinha dar uma olhadela nas suas produções.
Seus sonetos são lindos e fico feliz em asber que vc continua desenvolvendo seus talentos.
Gostei muito de tudo o que li. E parabéns tbem pela "roupagem" do blog, ficou muito interessante além de refletir seu estilo.
Fica com Deus!
Bjão,
Suenia

Johnny Souza disse...

Liberdade Iusória, muito bom, vivo e real!!
Parabens e siga assim poetizando a vida

Postar um comentário